30 de abr. de 2012

Oito anos de Zumzum Bar Disco










Quem nasceu e se criou em Cuiabá, deve lembrar-se de como era a vida gay antes de termos um ambiente descente e receptivo como a Zumzum, as mais antigas certamente devem ter boas e más histórias pra contar, quem viveu no período da descoberta do fogo, da chegada da luz e do asfalto em Cuiabá como Jegé, Valdomiro arruda, Edilson Baracate, tem depoimentos emocionantes de quanto era diferente o entretenimento nesse século. Furnicar no morro da Luz não era um risco ainda, cada senhora gay de engenho tinha seu bofe sexual, tempos saudosos em que a mata da mãe Bonifácia ainda era virgem, que a Maria Taquara era um ambiente de família, mas o progresso veio e trouxe com ele os prós e ao contras de aderirmos aos hábitos e comportamento da sociedade moderna. Renata me contou o quanto foi difícil viver sua sexualidade, ser menina de penca em uma época onde o sexo não era uma moeda de troca, quando a igreja pregada que homem com homem virava lobisomem, e as pessoas acreditavam, onde as curvas do corpo de uma mulher se perdiam nas anáguas dos longos vestidos de época, onde a sociedade vivia imposta por um regime de hipocrisia e ameaças de ser enforcadas em praça pública. Mas graças a Deus e ao Ivo Pitangui os tempos são outros. Vivemos na era do silicone, onde ter uma boceta é possível (Prazer, Luanna). Vamos acelerar essa história, pois agora ela fica interessante. Há oito anos esse militante dava à cara a tapa definitivamente oferecendo a esse carente publica gay de Cuiabá a oportunidade de ter seu próprio espaço, se fazer parte do meio gay era fazer parte de uma minoria, ser gay em Cuiabá era ser desse nicho ao quadrado. Quem nunca amanheceu na Zumzum, quem nunca ficou até Charles Pitter tocar ilarie Ilariê não sabe o que é ter uma noite inesquecível, quem nunca viu o sol nascer depois de um estúdio 54 precisa sentir essa emoção pelo menos uma vez. E de lá pra cá já são oito anos, hoje a Zumzum não perde em nada para grandes boates do circuito nacional, a zumzum fez história, alegrias, emoções, marcou a vida de muitas e nos fez descobrir o talento de estelas como as impagáveis Jennhy Silverstone, Lana Love, Messa Jackson que já fizeram parte dessa constelação. Que já deram o seu melhor no palco da zum... Mennot criou um ambiente familiar, de respeito e responsabilidade, digo isso por que já fui a casa e vi o ambiente na luz do dia, hoje a Zum é uma empresa, onde mantém famílias, paga pessoas, e constrói histórias de vida.
Algumas falam mal, algumas criticam, algumas vão, ficam loucas da boceta, e ainda assim falam mal. É o preço, de lidar com esse público, dia 05 de maio a Zumzum vem com uma mega programação, melhor que essa só há de nove anos acredito. Oito anos, de vida, de história, de resistência, firme e forte. Pode parecer clichê, mas acredite essa festa é pra vocês. Vamos prestigiar. E quando ouvirem a clássica vinheta “Não há mais volta” encarem como sinal para viverem a vida com toda intensidade possível, que devemos viver a liberdade, a liberdade que a Zumzum prega há oito anos.

2 comentários:

  1. E como era dificil...tempos de Vision scot Bar, puleiro de gatos, cocoricó, baratos e afins, agente entrava morrendo de medo, sempre olhando dos lados, o pior era esperar amanhecer pra pegar o onibus, afinal todas pobres... ja que citou duas que nos deixaram gostaria muito de saber por onde andam aquelas que faziam shows nessa epoca, Valentine westwood me faz lembrar de Elohara Mymoney..acho que nem é de sua epoca, Elza me faz lembrar poperô... entre varias que passaram nos palcos de Cuiaba... Abraços e te espero sabado na Zum Zum...

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